Acontecimento Histórico

Evolução do Sentido de Justiça

Desde as origens do Instituto que a atenção aos mais frágeis, aos “sem voz” aos mais desfavorecido da sociedade integrou a missão das Religiosas do sagrado Coração de Maria.

O Capítulo Geral de 1975 veio recolocar, na ordem de trabalhos, o Tema da Justiça. Tomámos consciência de que: Saber o que é a justiça não é ainda ser justo ou atuar de uma maneira justa; precisamos, não só de nos educarmos a nós e aos outros para a justiça, mas também dar testemunho da justiça e agir pela justiça.

Nós, RSCM, vemos esta educação, este testemunho e esta ação:

Em nós mesmas / nas nossas ATITUDES

Na nossa missão

Nos COLÉGIOS – Suscitar a tomada de consciência social dos colaboradores, alunos e pais.

Fora dos COLÉGIOS – Cooperar e participar nos grupos que trabalham pela justiça.

No MEIO – Responder às necessidades dos que nos cercam.

Na sociedade Promover a mudança social; sensibilização política; amor e coragem para ser  

                        a voz dos que não têm voz

(Cfr. Doc Capítulo Geral 1975)

No Capítulo Geral de 1985, sob o tema: “Que a Verdade brote da terra e a justiça olhe do céu”, constatámos que, como Instituto, tínhamos dado alguns passos em resposta ao documento do C.G. de 1975, mas que devíamos concretizar mais este apelo de “estar ao serviço da Justiça Evangélica, seja qual for o nosso ministério e o lugar onde o desempenhamos”.  

Todo o Instituto foi chamado a participar num processo de planeamento com o objetivo de reafirmar a sua Identidade e clarificar o sentido e direção futura da missão. Deste longo processo resultou a “Declaração da Missão” que nos faz reportar às origens do Instituto e nos projeta para o futuro ao dizer:

O desafio do Evangelho e o espírito de fé e zelo que marcaram os nossos fundadores, Jean Gailhac e Mère St. Jean, e as nossas irmãs fundadoras, impulsionam-nos a responder às necessidades do nosso tempo e a trabalhar com outros numa ação efetiva pela justiça evangélica.

Enviadas a promover a vida e dignidade de todos os nossos irmãos e irmãs, neste momento, colocamo-nos a nós mesmas e aos nossos recursos ao serviço daqueles que têm mais necessidade de justiça, tornando-se os fracos, os mais necessitados, os marginalizados, os sem voz, capazes de trabalharem efetivamente pelo seu próprio desenvolvimento e libertação”. (Cfr. Doc Capítulo Geral 1985)

O Capítulo Geral de 1990 teve como foco a Declaração da Missão. Uma vez ratificada, foi aprovada por unanimidade, considerada um dom para todo o Instituto e clarificaram-se os aspetos mais significativos do documento:

  • quando dizemos: “os que têm necessidade de justiça” queremos significar os fracos, os mais necessitados, os marginalizados, os sem voz, e reconhecemos que estas características são particularmente verdadeiras para os materialmente pobres”
  • quando falamos de “solidariedade com os pobres” e de “perspetiva dos pobres” queremos significar os material ou socioeconomicamente pobres.

Concluímos, também, que, para vivermos plenamente a DM precisamos de a integrar em todas as dimensões da nossa vida e isso implica uma contínua conversão, para crescermos na capacidade de viver o amor preferencial pelos pobres e de agir de modo concreto e consistente. O foco da nossa Missão são os que têm mais necessidade de justiça e isto deve ser evidente onde quer que estejamos e qualquer que seja o nosso ministério. (Cfr. Doc Capítulo Geral 1990)

No Capítulo Geral de 1995 constatámos que, a partir da Declaração da Missão, o Instituto intensificou os seus esforços na promoção da Justiça; crescemos como um corpo em missão, mas precisávamos de aprofundar a nossa resposta ao apelo a ser comunidade no mundo atual.

“Num mundo de relacionamentos destruídos, no qual a dominação, a exclusão, a intolerância, o consumismo, a violência e a manipulação contradizem o exemplo de Jesus Cristo, somos desafiadas, de um modo novo, a sermos proféticas como comunidade”.  Com esse foco, comprometemo-nos:

  • a ser socialmente responsáveis no que respeita ao nosso uso dos bens da terra e dos recursos financeiros
  • a utilizar melhor o nosso potencial como Instituto ao serviço dos mais necessitados de justiça
  • usar os nossos talentos, individuais e como corpo para trabalhar, de maneira criativa, nos diversos ministérios para a promoção da justiça. (Cfr. Doc. Capítulo Geral 1995)

No Capítulo Geral de 2001 “rejubilamos por sermos muitas culturas diferentes e um só coração e reconhecemos isto como um dos dons mais valiosos a oferecer ao nosso mundo tão dividido pela realidade da globalização.

Fomos chamadas a construir a globalização da solidariedade e da esperança:

  • na realidade atual, onde muitas pessoas são excluídas e o abismo entre ricos e pobres aumenta, precisamos de reforçar a nossa ação de solidariedade e inclusão partilhando os nossos recursos humanos e financeiros no Instituto e na comunidade mais alargada.
  • a fim de trabalharmos para uma forma alternativa de globalização, comprometendo-nos, de novo, com o desenvolvimento da Rede Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC).
  • Sendo as mulheres e crianças as mais afetadas pelos efeitos negativos da globalização, elas serão o foco da nossa ação pela justiça. O exemplo do Pe. Gailhac e das nossas primeiras Irmãs inspira-nos a adotar esta perspetiva e a realizar ações específicas, qualquer que seja o nosso ministério.” (Cfr. Doc Capítulo Geral 2001)

Respondemos de formas variadas, que incluem o reforço da Rede da Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) e o estabelecimento da Organização Não Governamental (ONG) do Instituto, nas Nações Unidas aos compromissos do Capítulo Geral de 2001.

No Capítulo Geral de 2007 apoiámos o nosso estatuto de ONG na ONU e assumimos, como Instituto, a uma posição corporativa contra o tráfico humano; comprometemo-nos a: “ser mulheres que escutam as vozes silenciadas e que caminham com os marginalizados, a fim de fazer surgir uma globalização a partir das bases…; a ajudar a criar uma alternativa à cultura de domínio e violência, com uma nova definição de comunidade – uma erupção de compaixão e solidariedade”.

Tocadas pelos acontecimentos que afetaram a vida das pessoas em todo o mundo, entre eles, a migração, o tráfico humano, as mudanças climáticas, a violência…, fiéis ao nosso chamamento de tornarmos conhecido o Deus de amor e justiça, abraçamos as necessidades da comunidade global. (Cfr. Doc Capítulo Geral 2007)

Capítulo Geral de 2013 – Como religiosas apostólicas, impelidas pela paixão de Deus pela humanidade, por toda a criação, inspiradas na visão de Gailhac “para que todos tenham Vida”, propomo-nos escutar, a partir das bases, aprender com as vozes silenciadas, alargar o coração aos nossos irmãos e irmãs marginalizados, especialmente mulheres e crianças, enquanto caminhamos com todos os que partilham a mesma visão e se comprometem com a nossa terra e o seu povo.

Enraizadas nos valores evangélicos de inclusão, mutualidade e compaixão, escolhemos estar mais efetivamente envolvidas na mudança dos sistemas injustos, criando parcerias dinâmicas para a missão através da colaboração, do trabalho em rede e da defesa dos direitos humanos.

Assim, comprometemo-nos a:

  • Simplificar o nosso estilo de vida, em solidariedade com os pobres, reconhecendo o desafio dos recursos limitados do mundo e do Instituto
  • Reforçar a parceria JPIC/ONG na ONU, desenvolvendo formas criativas para as tornar mais dinâmicas e efetivas, especialmente nas áreas do tráfico humano, da defesa e proteção dos direitos das meninas e do desenvolvimento sustentável para todos. (Cfr. Doc Capítulo Geral 2013)

Capítulo Geral de 2019 – Conscientes da interconexão de toda a criação, queremos arriscar e proclamar “a abundância de vida para todos”, através da integridade das nossas vidas, das nossas relações umas com as outras, com todos os povos e com o nosso planeta.

Propomo-nos continuar o nosso compromisso com as prioridades da JPIC e ONG na ONU… intensificar, em particular, o trabalho na transformação de estruturas injustas, envolvendo outros na defesa dos direitos humanos a todos os níveis, abordando questões de desigualdades globais, migração e cuidado da Terra. Comunicar este envolvimento através da nossa rede”.

Nesta caminhada de explicitação do compromisso com a Justiça na nossa missão, desejamos, como Instituto, revelar a ternura de Deus ao procurarmos responder aos gritos dos marginalizados e da Terra. E colaborar com outros, caminhando juntos – pessoas de esperança profética que proclamam que todos têm lugar na nossa “casa comum”.

                                                                                          (Cfr. Doc Capítulo Geral 2019)

Documentos dos Capítulos Gerais de 1975 – 2019
Declaração da Missão das RSCM