CUIDAR

Cuidar ganha um novo significado quando se torna compromisso vivido a partir de Deus.

A visão de fé e de zelo, específica do carisma das RSCM, move-nos num dinamismo de cuidado promotor de dignidade e mais vida: cuidar das pessoas, sobretudo as mais frágeis, cuidar do mundo criado por Deus, a nossa Casa Comum. Cuidar ao jeito de Cristo – uma atitude dinâmica e criativa que brota do amor incondicional e gratuito, bem exemplificado na parábola do Bom Samaritano.

Desde os inícios do Instituto, e também assim em Portugal, as RSCM incarnaram esta dimensão da sua espiritualidade como central na missão de gerar vida em abundância: cuidar das mulheres maltratadas e restabelecê-las na sua dignidade, cuidar das crianças, adolescentes e jovens no seu desenvolvimento integral, cuidar dos idosos vulneráveis, cuidar dos mais pobres, dos sem voz e vencidos da vida.

Fazemos memória, celebramos e agradecemos as gerações de Irmãs que, ao longo dos 150 anos cuidaram, com amor e gratuidade, marcando a vida daqueles a quem serviram e os contextos à sua volta.

Das múltiplas presenças, evocamos três instituições dedicadas ao cuidado de crianças em situação de vulnerabilidade:

Internato de Santa Teresinha – Viseu

Em 1971, duas Irmãs – a Irmã Alzira Duarte e a Ir Rosa Batista Peixoto – iniciavam a história das RSCM no Internato Santa Teresinha, em Viseu, em resposta ao pedido dirigido à Ir Mª Lúcia Brandão, Provincial na época, por parte da Direção Associativa, constituída por leigos, benfeitores desta causa. Esta instituição, fundada em 1885, era reconhecida como resposta social necessária, mas fazia-se sentir a urgência de mudança em termos de visão, pedagogia e métodos adotados, de modo a potenciar uma educação libertadora e o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. As Religiosas do Sagrado Coração de Maria eram bem conhecidas na sociedade visiense pelo trabalho educativo outrora desenvolvido no Colégio (entre 1892-1910) e através das novas presenças nesta cidade – o Lar de Estudantes e o Patronato – fundadas em 1953 e 1955, respetivamente. A Direção do Internato de Santa Teresinha reconhecia nas Irmãs do SCM a resposta para a mudança desejada. Acolhendo este desafio de missão, foram muitas as Irmãs – num total de 35 – que, desde 1971 a 2016   integraram, em anos diferentes, a Comunidade RSCM, colaboraram na evolução desta obra e se entregaram ao serviço das crianças e adolescentes confiadas a esta instituição, cuidando de cada uma, de um modo singular e integral.

Testemunho da Ir. Claudina Cunha

Lar de Nossa Senhora do Livramento – Porto

Algo semelhante aconteceu em 1975, desta vez no Porto, com o Lar de Nª Sra. do Livramento, uma fundação de 1810. A Direção Associativa, desde 1970 presidida pelo Eng.  Francisco Almeida e Sousa, conhecedor da qualidade educativa do Colégio Nª Sra. do Rosário, dirigiu ao Conselho Provincial, o pedido para a presença de uma comunidade RSCM e intervenção educativa no cuidado das crianças e adolescentes confiadas à instituição. Refletido e acolhido este apelo, quatro irmãs foram enviadas e deram início a este projeto: Ir Alzira Melo, Ir Ana Martins, Ir Ester Oliveira e Ir Mª Rosa Canito, nomeada diretora do Lar. O IRSCM permaneceu nesta instituição durante 38 anos, com o contributo de 30 Irmãs, enviadas em períodos distintos.    Pela presença e entrega total de si mesmas, foram promotoras de transformação e abertura da Instituição e cuidaram de muitas crianças, adolescentes e jovens, projetando-as para uma vida com futuro.

Testemunho Ir. Palmira Moreira

Centro de Acolhimento Temporário – Portalegre

Esta resposta social das RSCM em Portugal resulta de decisão situada no contexto das celebrações do 150º aniversário da Fundação do IRSCM, em 1999, como novo projeto da Obra Social a assinalar este jubileu. Foi destinado a crianças em risco, desprovidas de um meio familiar adequado – uma necessidade premente no distrito de Portalegre – com acordos de cooperação da Segurança Social.

Nos seus inícios, duas Irmãs foram direcionadas – a Ir Emília Mª Oliveira e a Ir Mª Teresa Morgadinha, diretora – apoiadas por colaboradores leigos e outras Irmãs da Comunidade.  Nessa ocasião, permanecia, ainda o Lar do SCM para jovens universitárias, a funcionar numa das áreas do mesmo edifício, e colaboração na pastoral catequética.

Com o encerramento do Lar Universitário, a resposta social do CAT foi alargada, adaptada e outras Irmãs foram integrando a comunidade. A missão era sentida como preciosa e delicada:  acolher e cuidar da vida indefesa – bebés com poucos dias de existência ou crianças um pouco mais crescidas – sempre vida em situação muito frágil e vulnerável, a suscitar o cuidado integral e os laços de afeto indispensáveis para o desabrochar de uma vida mais harmoniosa e plena.

Testemunho Ir. Manuela Queirós

Celebramos e agradecemos o compromisso de CUIDAR da vida, com amor incondicional e gratuito, em identificação com Cristo, para que todos tenham Vida!