Acontecimento Histórico

Colégio das Inglesinhas – Rua Coronel Pacheco

Em abril de 1872, a Madre Saint Thomas Hennessy chegou ao Porto, com mais duas religiosas, e começou a preparar a mudança da comunidade para uma casa mais espaçosa e saudável.

A comunidade tinha alugado uma propriedade na Rua Coronel Pacheco, em setembro de 1872. As instalações eram amplas e adequadas, com parque e uma grande quinta, oferecendo todas as condições para o bom funcionamento da escola, cujo ano letivo iniciou a 6 de outubro desse ano.

Nos vinte anos seguintes, a comunidade do Porto cresceu em número e a Academia Inglesa prosperou, sendo as três Hennessy o seu “núcleo duro”.

Edifício ocupado pelas RSCM entre 1872 e 1910. Atualmente alberga um dos polos do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.

Visita da 2.ª Superiora Geral – Madre St Croix

A Madre St Croix – 2.ª Superiora Geral – visitou a comunidade do Porto, entre abril e julho de 1875. Logo nos primeiros dias, familiarizou-se com o contexto: visitou cada classe, encontrou-se com as estudantes e as professoras, percorreu o edifício e a propriedade. Na sua abundante correspondência com o Pe. Gailhac – 8 longas cartas, descreveu a propriedade, a sua “grande beleza”, a esplêndida localização, dominando toda a cidade do Porto, com vista para o oceano de quase todas as janelas da casa, comparando-a com locais da Casa Mãe, para que Gailhac pudesse imaginá-la: os jardins, os passeios com degraus, o pequeno bosque de árvores, “um pouco maior do que o pátio do orfanato”, o pomar, “mais ou menos com o comprimento e a largura do corredor do internato”, a área cultivada “cerca de uma vez e meia o tamanho do nosso bosque”.

As RSCM sentiam as desvantagens de permanecerem numa casa alugada: a incerteza do dono a querer vender a outros; os inconvenientes que daí advinham para a escola e para a comunidade; o problema de espaço, agravado pela impossibilidade de aumentar ou modificar as instalações para poderem aceitar o número crescente de estudantes. Tudo isto contribuiu para que, sempre que possível, se optasse por comprar em vez de alugar.

A escola prosperava. Em abril de 1875, tinha quase oitenta alunas, das quais, quarenta eram internas. Que diferença dos primeiros meses, em que a comunidade tinha arrumado camas numa grande sala para dar a impressão de que havia muitas alunas internas! Agora, as irmãs preocupavam-se com a falta de espaço para as receber!

Sobre as alunas, a M. Ste Croix escreveu: “tão carinhosas, tão cheias de respeito, verdadeiramente enternecedoras”. A escola começou a ter uma excelente reputação nos círculos educacionais da cidade. Nos exames, realizados na Escola Secundária Nacional do Porto, as estudantes passaram com distinção. Um inspetor, que visitou a escola e entrevistou as estudantes, comentou: “a Academia é a melhor da área”.

Com a sua candura característica, a M. Ste Croix admitia, contudo, que Deus fora benigno com elas, pois não compreendia que o nível de instrução que notou fosse merecedor de tal louvor.

Embora muito interessada nas condições da escola, a M. Ste Croix, na sua visita ao Porto, ocupou-se, particularmente, com a formação das irmãs. Durante a sua permanência investiu na formação espiritual e carismática de cada um dos membros da comunidade: orientou um retiro de cinco dias, fez várias conferências sobre o espírito e carisma do Instituto e sobre os ensinamentos do fundador, aplicando-os, de uma forma simples e muito prática, às circunstâncias, concluindo com a renovação de votos. Deu passos para que a comunidade tivesse os recursos necessários para a vida espiritual: um jesuíta “competente e santo” para a formação e orientação espiritual; um “capelão bondoso” para celebrar a Eucaristia, dar instrução e confessar as alunas. Fez diligências para que as Irmãs tivessem o Santíssimo na Capela da Comunidade – o Bispo não o concedera devido ao clima antirreligioso que então se vivia na cidade. Esta autorização foi concedida, mas pouco tempo depois foi anulada pelo secretário do núncio, porque “as religiosas tinham sido chamadas para uma escola e não para abrir uma casa religiosa”.

Desde o princípio que as cartas da M. Ste Croix demonstraram que esta visita tinha uma missão determinada que ela queria cumprir, seguindo os planos anteriormente definidos com o Fundador.

Na correspondência com o Pe. Gailhac, informava-o sobre o trabalho que ia realizando não só para atingir os objetivos da visita, mas para o fazer de acordo com o que ela sabia e intuía serem as intenções do Fundador, prometendo-lhe uma narração mais minuciosa quando se encontrasse com ele.

Nos últimos quatro anos, as nossas queridas religiosas trabalham aqui na sombra e sem barulho. Vim visitá-las e, para mim, é uma imensa consolação testemunhar o sucesso já alcançado. Mas o seu trabalho está longe de estar concluído. As nossas religiosas também devem cuidar dos pobres.

A respeitável Miss Hennessy entendeu isto e, na minha chegada, encontrei-a já com turmas de crianças pobres. Para isso, apelou à caridade de pessoas generosas, amigas do bem.

Madre Sainte Croix, rscm – Porto, junho de 1875

O Pe. Gailhac confiou de tal maneira nos seus critérios e bom senso que lhe respondeu, dizendo: “…quem está no local é que vê tudo e pode orientar cada coisa para a glória de Deus e o maior bem da comunidade. Com toda a simplicidade, tome as decisões que achar melhores.”

Kathleen Connel, RSCM – Uma Caminhada na Fé e no Tempo – História das RSCM, Vol. II